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Sabemos até agora que a maioria dos casos da doença do novo coronavírus (COVID-19) é leve e passível de controle apenas com medicações sintomáticas, como casos leves de gripe e resfriados. Com dados coletados até hoje (04/04/20), sabemos que 80 a 85% dos casos são leves e não necessitam hospitalização, devendo permanecer em isolamento respiratório domiciliar; 15% necessitam internamento hospitalar e menos de 5% precisam de suporte intensivo (de UTI/UCI/CTI).

Líderes de opinião sensatos e os especialistas competentes da área nos alertam para ficarmos atentos, mas não ansiosos, muito menos em pânico.

No entanto, o novo vírus é mais perigoso para idosos e pessoas com imunidade comprometida. Dessa forma, pacientes com síndromes miastênicas (miastenia gravis ocular, miastenia gravis generalizada, Síndrome Miastênica de Lambert-Eaton, Síndromes Miastênicas Congênitas) têm mais motivos para se preocupar do que a maioria, pois além da COVID-19 ser um possível fator de descompensação clínica da miastenia (como são os resfriados e gripe), os miastênicos em sua maior parte fazem uso de imunossupressores, corticoides, e/ou são timectomizados – fizeram cirurgia para retirada do timo (timectomizados não são necessariamente grupo de risco, mas como não temos dados a respeito, orientamos que ajam como se fossem).

Quanto a tratamento, ainda não há medicações específicas para o novo coronavírus. Esforços estão sendo feitos para encontrar uma vacina e um tratamento efetivo, sendo que aproximadamente 20 estudos de ensaios clínicos estão em curso ou já finalizaram.

Ainda sem resultados confirmatórios, dentre os outros tratamentos pesquisados, podemos citar: hidroxicloroquina/cloroquina (associada ou não a azitromicina), redemsevir, lopinavir/ritonavir, favipanivir, transfusão de plasma de pacientes curados, imunoglobulina humana endovenosa e oseltamivir. A cloroquina tem recebido muito destaque, provavelmente por já ser uma medicação muito conhecida, de preço relativamente barato e estar facilmente disponível. No entanto não há recomendações de órgãos oficiais para uso da droga em casos de COVID-19, e o que há até agora de evidência científica permite apenas dizer que é uma medicação que vale a pena ser estudada a fundo para isso, e que deve-se considerar seu uso apenas em casos mais graves como um uso compassivo (o que seria parecido como um estudo de um caso só, onde o paciente, junto à equipe médica, assume o risco de a droga não funcionar ou causar efeitos colaterais). Os pacientes devem estar cientes de que alguns desses medicamentos, principalmente a cloroquina/hidroxicloroquina, podem piorar a miastenia. Dessa forma deve-se evitar usá-los sem a indicação médica específica.
Nesse momento o melhor a fazer é se isolar, evitando ao máximo contrair a doença. Caso haja sintomas gripais avise a equipe médica que o acompanha, e se houver dificuldade de respirar procure um pronto atendimento, de preferência um relacionado à sua equipe médica.


Dr Eduardo de Paula Estephan
Neurologista
CRM-SP 146264
Grupo de Miopatias e Ambulatório de Miastenia do Hospital das Clínicas/FMUSP
Ambulatório de Doenças neuromusculares -  Hospital Santa Marcelina
Professor do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina Santa Marcelina
Diretor Científico da Associação Brasileira de Miastenia

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